quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal



Assim foram os três Reis sábios
pelas areias dessa vida,
buscando o que a estrela guia
anunciava no firmamento...

Como andamos todos,
todos os dias, perscrutando
nos céus do pensamento,
um sinal que nos conduza
ao propósito final de nossas vidas,
cumprindo a profecia 
que trazemos todos
indelével em nossos dias...

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Solidão



Fui condenado
a buscar um sonho
que ninguém entende,
a chorar uma dor
que não se compreende,
e a ansiar um amor
que não existe!

Enigma



O Universo 
é um verso único
de um gigantesco poema
que ainda 
nos foge à compreensão...

Foto da nebulosa de Eta Carinae.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O Buscador



Eu escrevo para descrever as paisagens
que vivem apenas em mim... 
Vales profundos, noites magicamente 
enluaradas, tardes ventosas e, 
às vezes, fracamente ensolaradas...
São paisagens lindas, tênues e nebulosas
onde os mortos lembram de mim,
e os vivos sonham 
como não se sonha na realidade...

Eu sou um pescador do imaginário,
um astronauta do sonho... Vivo de buscar
os fragmentos do invisível que deram
origem ao mundo real...

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A Sentinela



Estou de novo vigiando o itinerário das estrelas,
e a barca das preces a persegui-las
(que são cada vez mais raras)!

Eu vigio a trilha das coisas invisíveis
que são as que criam as visíveis, sem que se perceba...

Eu sou a sentinela dos augúrios,
o portal das profecias,
a nuvem que asperge as poesias...

Eu sou o sussurro do Universo
a bater minhas asas quebradas
neste mundo cada vez mais surdo!

Sobre meus Voos



Caminho por aí... Minhas asas
são para voar nos versos!
O meu canto (diverso) 
é taciturno e enluarado,
e brinca no espaço
de saltitar entre os silêncios
e no vão das estrelas...

Durmo no ressono 
da madrugada, sonho
acordado viajando
nos oráculos... E
as vidas que por mim passam
são paisagens que enfeitiçam
o feiticeiro...

Tenho asas 
de silêncio amoroso
e derradeiro...!

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A Água Eterna



E veio a chuva sombreada
em seu frescor
pelo mormaço da tarde,
com sua música sufocada
pelas buzinas dos carros.

Veio a chuva
para o beijo das flores,
a alegria dos córregos
e a festa dos passarinhos.

Veio a chuva eterna,
e, como sempre,
milagrosa, poética,
fluída... e única!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Enchente



Transbordei dos limites
de mim mesmo...
Avancei o cais 
das minhas concessões,
criei ondas de sonho,
marés de inspiração,
e me dirijo perigosamente
à estrada da vida...
Vou de encontro aos demais...
O mundo não esperava
por esta... Nem eu!

Rompimentos



Os que se foram de mim
vivem como pedras silentes
no fundo da minha lembrança,
sem chance de resgate,
longe das marés da saudade
onde o sol da lembrança
nunca chega...
Bem longe de mim estão
os meus naufrágios...
Só meus versos, vez por outra,
acolhem suas histórias
em sua serena concha...

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Predisposição



Eu escrevo para
acender estrelas 
no pensamento, e
iluminar a lua
bem no meio do peito
quando o silêncio
pesado da vida
apaga os candeeiros
dos caminhos

Eu escrevo para
fazer sonhar
os que sonham pouco.
Eu escrevo para ensinar
a oração aos que
não oram...
E para ensinar aos 
materialistas
a contemplar o invisível,
e aos territorialistas
apresentar o infinito!

Eu escrevo para
abraçar aos solitários
e dar voz aos 
passarinhos...
E emprestar às ruas
a minha própria voz
para enveredar
nos descaminhos...

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Caminhante



É preciso pagar o aluguel
até desabitar o próprio corpo

E pagar a luz e a água até
esvair-se a nossa própria energia

É preciso tomar cuidado nas ruas
até a liberdade tornar-se um sonho

É preciso acreditar nos fatos
até o ponto da nossa própria loucura

Enquanto isso vamos ficando
cegos, cada vez mais, de estrelas

Vamos ficando surdos de elogios,
de poesia, e gentilezas...

Vamos ficando mudos de cortesia,
de incentivo, e interesse mútuo...

E assim caminhamos todos os dias
extinguindo a humanidade do Mundo...

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Entardecer



Delicadamente os remos da luz
foram turvando o oceano azul
do claro espelho do dia,
primeiro de dourado e cinza,
depois de púrpura e marinho...
E a barca do sol mergulhou
nas profundezas do horizonte,
e só os resquícios da luz
ficaram faiscando 
no olhar da estrelas

Mas, de novo, houve poucos a percebê-las.
Trancafiados na caixa de concreto,
que verticalmente chamamos de casa,
viciados que somos em nossas neuroses
com fascínio e terror acendemos as tevês
pra não perder a novela, aquele jogo, 
aquele capítulo da série... Enquanto 
a vida se esvai sem mais nem por que...

Estrela Urbana - Ou Um Ensaio para a Imortalidade



No topo do mundo
uma estrela,
e no ângulo da estrela 
uma antena de celular

Antes fosse
um zigurate babilônico,
ou uma torre medieval,
onde uma dama sonhadora
aspirasse ao infinito...

Mas trata-se de uma torre eletrônica
que recebe e emana pro invisível
sinais que unem povos
que  se comunicam
sem nunca se entender...

Mas a estrela, que não mudou 
ao longo dos breves séculos humanos,
encontrou o olhar 
de mais um poeta que,
como tantos outros poetas,
cantou e decantou a imensidão e as estrelas
ao longo dos breves séculos humanos...

O tempo passará,
as torres passarão, 
e o poeta também...
Mas o certo é que
num futuro incerto
o olhar de pelo menos
mais um poeta
encontrará outra estrela
- ou quem sabe a mesma estrela? -
pairando silenciosa
no topo do mundo...

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Metamorfose...



Só sei que envelheço
e que a velhice está me tornando subversivo.
Ando tonto de sonhar meus sonhos...
E sonho em descumprir as minhas regras!
Como todos forcei-me a ser certo e preciso
naquelas coisas que nos dão o pão.
No trabalho desabrochei talento,
nos horários exatidão.
Cumpro agendas e a palavra...
Sorrio, cumprimento e, de vez em quando,
me espremo na solidão para escrever uns versos...
Que dizer de mim? Sou velho! Sou gordo...!
Mas inspirado, letrado e profundo, 
cortês e até engraçado! Às vezes choro sozinho,
mas nem sempre de medo, de tristeza, ou de
solidão! Às vezes choro só por beleza...
Sempre foi de minha essência
- Próprio da minha natureza -
ser sensível às coisas do coração...
Mas o tempo anda assim
me deixando mais e mais maluco,
menos covarde... E às vezes até
eu atraso alguns minutos...

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

À Super Lua



À super lua voaram
poetas e místicos,
e também uns românticos
e uns escapistas...
Bateram feito mariposas 
na sua superfície fria

E voltaram, iluminados,
aos seus corpos-âncoras
mergulhados na calmaria
da noite silente e adormecida
nessa terra de solidões

Em 29/08/2015 a lua apareceu muito maior que de costume,
evento que só voltará a ocorrer em 2033. Esse fenômeno se
chama "Super Lua".

sábado, 22 de agosto de 2015

Canção da Chuva/Temporal



Veio assim, versos do vento em forma de lágrimas
escorrendo do ventre das nuvens, tamborilando
em cima do telhado, afugentando os gatos...
Botando as crianças na janela, e o velhos pra deitar
a sesta da tarde... Veio a mesma água do dilúvio,
reusada e renovada nos milhares de anos.
Veio milagrosa, ora branda e adocicada, ora forte
como a pisada de um gigante, veio serena e leve
e também estrondosa e firme... Caiu como lágrimas,
e como versos do vento, que sopraram e inspiraram 
versos em mim, que agora deito sobre o papel na sua 
pureza, mas com só uma gota de toda a sua beleza!

Foto que minha amiga Sílvia Dalla Santa postou a pouco no Facebook, e que com o som da chuva, que cai agora em Porto Alegre, me trouxe esses versos que compartilho, fresquinhos, com vocês!

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Lua Nova



Do fundo vazio e assustador
de um céu pouco estrelado,
foi surgindo de manso o arco de Diana
apontando o céu abaixo...
Que também lembrava
o sorriso enigmático
daquele fictício gato,
que disse à Alice que o
verdadeiro caminho estava
por todos os lados...

O Caminho da Luz



De longe o barqueiro das nuvens
foi arrastando a luz do dia...
E os sonhadores e seus mundos sonâmbulos
mergulharam nas marés da noite!

E os poetas insones miraram, como de costume,
o olhar curioso das estrelas que, mais uma vez,
debruçaram-se sobre o mundo vazio dos homens...

Amorosa Vigília



Por varandas do infinito,
mirando o horizonte longínquo,
e a curva soturna da estrada,
jaz o meu sonho numa vigília solitária...

Tecendo versos pelos caminhos
estendendo lençóis de esperança
sobre o meu leito vazio, onde bordo,
com a fé de uma criança, juras de Amor
pra quando vieres repousar teus sonhos,
teu Amor, e teus anseios sobre a minha cama...

terça-feira, 11 de agosto de 2015

No Abrigo das Palavras...



Meus sonhos 
perseguem as palavras...
Querem vesti-las 
para saltar em poesia 
na alvura oceânica do papel...

As letras vertem, suavemente,
da extremidade da caneta,
e não sei bem onde estava o que escrevo,
ou que parte de mim sonhava esse sonho...

As palavras são meu túnel do tempo,
minha caverna sagrada, meu refúgio, 
minha cabana na floresta, meu guarda chuvas,
e minhas asas, minha vassoura de voos noturnos...

Minha poção encantada, meu bálsamo,
e o analgésico definitivo
à tua ausência derradeira,
e à tua demora em me encontrar...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Sobre a Delicadeza



A delicadeza tem dedos de seda,
ouvidos de espuma, e dentes de veludo!
Vive na concha dos segredos
contados aos sussurros,
nas juras de Amor que 
não podem ser ouvidas.
No elogio dos pais, no apoio
dos irmãos. Nos olhares 
cúmplices e nos abraços
mais puros...

Perfura o pensamento como
uma pluma dançando ao vento.
Abraça os sentidos como 
a nota de um perfume,
e desaparece como a luz,
sem que se perceba,
a não ser quando de todo
se esbarra na sua ausência...
A delicadeza não é constante,
mas sim eterna!
Nasce aqui e ali onde quer
que se deseje ter com a vida
a relação mais sincera!

Sedução...



O vento varre a rua deserta,
onde um e outro transeunte passa
apertando o passo, na calçada 
estreita da noite gelada...
Onde o vento ensaia um passo
de baiado aqui e ali por sobre
o telhado, chutando pra longe
o silêncio pousado por sobre
as casas... Só pra impressionar a lua!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sensatez



Pessoas sensatas não são coisa rara não,
brotam da terra como pedras, e como elas são.

Os sensatos abraçam religiões para se sentirem
mais amados, incluídos e próximos de Deus,

Ou viram ateus só pra se sentirem mais livres,
ou mais inteligentes... Coisa que nunca serão!

Os sensatos adoram grupos, igrejas, agremiações,
associações, estatísticas, dados, e comprovações.

E creem de todo o coração que só serão mais felizes
se emagrecerem, enriquecerem ou conhecerem Paris!

O sensatos creem em coisas absurdas, como nos
comerciais de televisão, e em seus apresentadores...

Em marcas de grife, e só no que os olhos veem...
Sensatos assim se definem, pois amam definições!

Os sensatos são um tipo bem comum de medíocre,
que se alastra pelo mundo e arrasa a humanidade!

Agonia




Chovia e chovia
e ninguém reparou
em cada poça d'água
a agonia de quem
busca em vão
pelo luar...

terça-feira, 9 de junho de 2015

Apenas um Guarda-Chuva...



Era só um guarda-chuva
que andava comigo já há algum tempo.
Não sei como foi,
lembro que levantei, falei com o condutor,
vi minha parada, ergui sacolas e saí...
E ele ficou lá, enganchado no corrimão...

Minha intenção não era abandoná-lo,
era só cuidar de mim, das coisas, 
muitos compromissos, e simplesmente segui, 
e mesmo sem querer parti...
Deixei-o só para uma viagem rumo ao desconhecido.

E agora fico cá pensando o que pensaria, se pensasse,
o meu guarda-chuva? "Ué? Onde ele vai?
Tá saindo...? E eu aqui?"

E ao me ver resolutamente descendo:
"Ai, ai... Acho que logo virá atrás de mim.
Ah vai sim, logo percebe que me deixou e volta..."

Ao ver que não voltei, e nem voltaria:
"O que será que eu fiz? Ele não quis
me levar consigo, me deixou sozinho...
O que será de mim...?

E só consigo visualizar isso.
Pobre guarda-chuva...
Talvez ande em mãos 
mais benevolentes agora 

Ou talvez apodreça debaixo da chuva, no lixo.
Sem condições de cuidar de si,
vive o coitado, sem abrigo, nem lar, nem função...
E quem há de ser de um guarda-chuva amigo?

Assim deixei, e me deixou, o meu guarda-chuva
a sonhar sozinho sobre todos os abandonos do mundo!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Serões da Madrugada



Veio a neblina com seu manto,
e o vento deslizando por sobre
o assoalho de estrelas da noite...

Lá e cá um murmúrio do vento,
o latido de um cão conversando
com o infinito... O suspiro mudo
de uma estrela, a cantoria dos
gatos... Um e outro poeta com
os seus gemidos...

O salão da noite em seu baile
costumeiro abriu a senda
de outra aventura, de encanto
e nostalgia. De Amor, desejo,
loucura e poesia...! Anseios,
sonhos, inspirações e a agonia,
indissociável, do encanto e da magia...

Água Marinha



Jaz aqui, nesse lago
de águas escuras e frias,
a pedra dura do meu 
coração afogado...

Ficou duro, áspero e
esverdeado... Virou
uma água marinha,
cujo olhar dos inocentes
vê beleza e certa harmonia.

Ofereço-te este meu coração,
semi joia afogada num lago
de águas escuras e frias, que 
virou beleza sem alegria...

Andanças do Frio



O frio enlaça as mãos
dos que se amam.

Seca os lábios
dos que não beijam.

Abraça o coração de pedra
dos que não creem em nada.

O frio reúne os amigos
nas mesas dos cafés.

Faz encher de burburinhos
o vento pelos calçadas...

Reúne na esquina o vazio,
e a fala das fantasmas...

Aquece lembranças e amores,
e os corpos nos cobertores

E morre, docemente, numa
xícara bem quente de chá...

terça-feira, 31 de março de 2015

Soneto das Divagações



Versos de outrora guiam meus passos agora
por sendas escuras e tão misteriosas,
que sonho que vago por dias e por horas
sem brilho, ou em divagações tão viçosas

Que confundem realidade e devaneios,
não sei se estou aqui ou dentro das vagas viscosas
das angústias antigas e dos anseios
que se me parecem paisagens nebulosas...

Escapo pela senda mágica do agora!
Que o passado fique onde ele deveria
não é regaço, nem tão pouco hospedaria

É uma estrada que logo logo fica vazia
depois que se planta e se colhe do que se cria,
matando de sede quem dele não vai embora!

quinta-feira, 5 de março de 2015

Autorretrato



Quando eu conheci a poesia,
foram os *Quintanares
que me arremessaram
às alturas e me arrancaram
suspiros,
sonhos,
versos,
e visões...

Depois segui sempre sonhando
que um dia escreveria assim:
sobre ruazinhas desertas,
musas do passado, cartazes
abandonados de circo...

Mas eu sou um bicho estranho
que sonha com florestas escuras,
e criaturas míticas...

E que flerta com o absurdo
e o imaginário...
E o que é mágico 
é natural para mim!
Eu que repudio o lógico,
o científico, o certo, 
o sensato e a convenção...

Eu nasci com o coração no passado,
os olhos no futuro, os pés no agora
e a cabeça no infinito...
Que esquisito!... Né?

*Nome dado por Manuel Bandeira aos versos de Mario Quintana.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Regressos...



O céu rosnou mansinho como um cão pequeno e bravo...
A  chuva lavou as calçadas e o quintal...

O gato assutado atravessou a rua para voltar para casa
e os passarinhos aquietaram-se também em suas precárias casas

E nesse inesperado retorno de cada coisa ao seu lugar
espero como a água que foi rio, nuvem e mar

Aquietada no fundo escuro do chão, de onde tudo começa,
o tempo certo (aguardamos), a hora certa de retornar...

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Rebento das Estrelas



Eu sou um filho da noite,
irmão mais novo das coisas obscuras.
Lobos, curupiras e centauros são minha família!

Dialogo com a sombra e a ventania,
sonho com a beleza das coisas vazias.
Movo-me no ermo tendo como guias
a luz das velas e das estrelas, e a folia
dos vaga-lumes levados pela brisa...

Eu trilho meu íntimo caminho,
mas vivo do outro lado,
onde não sei o que busco,
ou o que me preenche,
ou o que me esvazia...

Vivo neste mundo a parte 
seguindo minha família,
tendo só como certeza 
que estaremos todos juntos
um dia...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Interlúdio Noturno



A fuligem dos meus sonhos
embaça a vidraça da lua...
Enquanto na rua os pirilampos
orquestram as estrelas

E a solidão trêmula da vela
eleva às alturas o calor
das preces! E, sem pressa,
a cantoria dos grilos começa...

Contam coisas sobre todas
as noites, e os segredos vazados
pelas janelas ao vento que,
em silêncio, nos afastam do dia...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Agora Somos Livres...



Agora somos livres,
e o tempo novo dá asas aos sonhos!
Somos livres como as nuvens 
que rondam o mundo,
e podemos perguntar
todas as coisas ao vento amigo
que dança nas copas do arvoredo...
Somos livres pra contar e descobrir
segredos... E dançar e cantar
e almejar a luz e o infinito,
e a liberdade e o sonho,
e o fruto doce, mas ainda desconhecido,
da verdadeira paz entre nós todos...

Utopia



Meu mundo ideal é aquele
onde a gente aproveitaria
esta forma redonda desta
terra úmida e azulada,
pra dançar de roda
todos de mãos dadas!

O Lugar dos Sonhos



Se eu pudesse voar eu gostaria
de ir até o lugar onde nascem os sonhos,
e onde brotam as cores, 
e os contos fantásticos,
e a sabedoria dos oráculos,
e as histórias das avós...

Apanhava um pouco de tudo
e guardava comigo por uns dias,
e algumas noites... E depois
entregava a um amigo, pois que
aventura nenhuma deste mundo,
sem um cúmplice, faz o menor sentido!

O Segredo da Chuva



A chuva é um rio secreto
que corre nas alturas,
e que de vez em quando transborda pelo céu,
e cai aqui em cima da gente...

A música da chuva é uma cantoria
inventada pelas velhas-nuvens
para fazer dormir a meninice do mundo...

A chuva é um lamento, é o murmúrio triste
de todos os poetas que dança ao vento,
e verte com a chuva das alturas do céu,
adentra por meio das nuvens e, por fim,
escorre pro centro do coração de tudo!

Destino

Vejo nas pessoas os arcanos que aguardam decifração,  elucidação, tradução e respectivo entendimento de si para si mesmo... E é just...