quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Ancestrais



Ah sim, lembro alguma coisa
do povo de outrora,
que ouvia pássaros e árvores,
que dançava com  a terra
passos de fogo e de gelo,
e que lia o futuro
nas ranhuras das nuvens,
nas linhas das mãos,
e no bailado da chuva...

Sim, lembro alguma coisa
sobre os versos do vento
na face oblíqua das pedras,
e no sal à beira da praia.
Lembro alguma coisa dos segredos
contados à mim pela chuva,
lembro de uma vida pura
e de uma comunhão segura
que nem de longe sonhava
ser arrasada pela vida futura... 

As Bençãos do Silêncio



À noite o tempo
caça o silêncio

Grilos contam segredos
aos ouvidos da mata

(longe, longe se ouve
o burburinho de
uma cascata...)

E o poeta tece rabiscos,
que são ideias-crisálidas,
de belas e futuras
palavras com asas...

Noturno Sonolento...



Um poeta pescava
estrelas

Uma barca de nuvens
levava a noite

Um silêncio divino
recortava o horizonte...

E versos caíam sobre 
um lago sereno,
onde se espelhava
uma lua insone...

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A Subida do Poeta



In Memoriam

Partiu o Manoel
que falava com sapos e sabiás
e dançava com riachos
e vivia numa meninice 
que durou até o fim

Acho que seguiu a trilha
de um córrego que levava
ao infinito, e muito curioso,
o danado subiu...

Já tô louco de saudade Manoel!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Canção Para o Longe...



Hoje a nave Rosetta pousou na superfície do cometa 67P,
e o mundo maravilhou-se com o gênio humano mais uma vez...
Bem no dia do teu aniversário! E gosto de pensar que deves ter
visto isso bem de perto, que aconteceu bem ao teu ladinho e que
também pensaste em mim, e em nós dois essa vontade 
de conversar sobre as coisas do infinito aconteceu como
o fazíamos no passado, em longos passeios pelos parques,
ou em cafés e bares sonhando com as alturas... 
Mas eu estou na vida como quem vive numa caixa, e tu
estás nas terras estranhas da morte como uma pluma ao vento.
Pai, quando a distância vem assim me rasgar o peito, eu logo
me lembro que estás ali dentro e suspiro aliviado... Um dia,
enfim, morrerás comigo (outra vez) e como velhos amigos
andaremos pelo infinito falando sobre as coisas de Deus!
Feliz Aniversário!