terça-feira, 20 de outubro de 2015

Enchente



Transbordei dos limites
de mim mesmo...
Avancei o cais 
das minhas concessões,
criei ondas de sonho,
marés de inspiração,
e me dirijo perigosamente
à estrada da vida...
Vou de encontro aos demais...
O mundo não esperava
por esta... Nem eu!

Rompimentos



Os que se foram de mim
vivem como pedras silentes
no fundo da minha lembrança,
sem chance de resgate,
longe das marés da saudade
onde o sol da lembrança
nunca chega...
Bem longe de mim estão
os meus naufrágios...
Só meus versos, vez por outra,
acolhem suas histórias
em sua serena concha...

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Predisposição



Eu escrevo para
acender estrelas 
no pensamento, e
iluminar a lua
bem no meio do peito
quando o silêncio
pesado da vida
apaga os candeeiros
dos caminhos

Eu escrevo para
fazer sonhar
os que sonham pouco.
Eu escrevo para ensinar
a oração aos que
não oram...
E para ensinar aos 
materialistas
a contemplar o invisível,
e aos territorialistas
apresentar o infinito!

Eu escrevo para
abraçar aos solitários
e dar voz aos 
passarinhos...
E emprestar às ruas
a minha própria voz
para enveredar
nos descaminhos...