terça-feira, 29 de abril de 2014

Um Pedaço de Céu



Era um céu comum, com os azuis diários
de qualquer céu da nossa terra, e pássaros,
e nuvens, e fumaça, um e outro avião, uma
e outra pandorga, um furtivo balão...

Era um céu comum, quase sem graça que
se encheu de esperança quando um poeta
o viu, e o cobriu de versos e cores várias
que o fizeram mais que um céu do Brasil!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Noturno Antigo



Esta noite é muito antiga,
é uma noite esquecida
nos primórdios do tempo!
Nos seus meandros, 
recônditos e escuros,
espreitam as Harpias
o destino do mundo!

E no jardim das Hespérides
os pomos de ouro maduros
aguardam a vinda heroica 
do peregrino, aquele que 
na ânsia de domar o próprio destino
enveredou pelas trilhas do mundo

Nesta noite as liras do silêncio
acalantam poetas e sua poesia,
fazem adormecer Cérbero,
e no Estínfalo as Fúrias que 
gemem no fundo da nossa agonia

Ai essa noite antiga e esquecida
no fundo do tempo como numa gruta,
quem dela me salva? 
Quem dela me salvaria?

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Velha Noite



A noite me invadiu com 
seus labirintos de sons,
e os odores do jardim 
suspiravam com a sinfonia
dos grilos. As luzes estelares 
acenavam ao longe e as
pálpebras pesavam como 
o corpo sobre a cama...

Longe, longe a velha lua 
cantava uma cantiga de ninar
velha como as dobras do tempo 
que desenrolam as estações 
sobre as costas da terra, 
e eu sonhava coisas do céu 
e do infinito preso ao chão 
vil dos tristes mortais!