terça-feira, 22 de abril de 2014

Noturno Antigo



Esta noite é muito antiga,
é uma noite esquecida
nos primórdios do tempo!
Nos seus meandros, 
recônditos e escuros,
espreitam as Harpias
o destino do mundo!

E no jardim das Hespérides
os pomos de ouro maduros
aguardam a vinda heroica 
do peregrino, aquele que 
na ânsia de domar o próprio destino
enveredou pelas trilhas do mundo

Nesta noite as liras do silêncio
acalantam poetas e sua poesia,
fazem adormecer Cérbero,
e no Estínfalo as Fúrias que 
gemem no fundo da nossa agonia

Ai essa noite antiga e esquecida
no fundo do tempo como numa gruta,
quem dela me salva? 
Quem dela me salvaria?

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