terça-feira, 19 de setembro de 2017

Faca


O amor é faca de dois gumes, 
um lado tem perfumes, maciez, ternura...

Do outro só durezas e cortes profundos
de pura ausência...

Para os que amam o amor nunca basta,
para os que não amam o amor nunca chega

E para quem o desconhece é uma fantasia
inventada pela solidão

Mas são esses os mais perdidos,
pois que anseiam na posse e na ânsia
do instinto, o amor que jamais conhecerão!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Concha



A gente se contamina
de si próprio 
e nem percebe...

Se toca, mas
não se sente,
se repete,
se esquece
e continua

A coisa mais dura
do mundo
é curar-se de si mesmo...

terça-feira, 12 de setembro de 2017

À Flor dos Versos

Soube que Carmen Sílvia Presotto nos deixou no dia 11/09/2017, ela foi uma cliente que me incentivou a criar este blog para mostrar os meus poemas ao mundo... Eu a chamava de Fada Madrinha dos meus versos, e eles vieram assim em homenagem à Carmen, que subiu a escada dos versos e se perdeu de nós...



À Carmen Sílvia Presotto In Memoriam 


Lembro que vi em ti 
um roseiral cintilando ao sol,
e pássaros de fogo 
desdobrando-se nos céus!

Eu vi em ti a tua poesia, 
e mais que a poesia 
que respiravas, 
eu vi a poesia 
que exalavas
pois um poeta 
enquanto vive é 
a sua poesia
e quando parte 
ele é então toda a poesia...

E, assim, tu és agora 
todos os pássaros de fogo
que sobrevoam 
a nossa inspiração,
e todos os roseirais desta vida!

Saudades, saudades, 
e para sempre
saudosos Madrinha...

Silêncio Letal



A brutalidade das 
palavras de ódio
talvez sejam 
tão peçonhentas quanto
as palavras não ditas

Essas que ficam pra depois, como:
"Volta!", "Eu te amo!", 

"Senti tua falta",
"Sonhei contigo", 
"Por favor, me perdoa..."

Essas palavras de um depois 
que nunca chega,
viram pedras sem valor,
que não adornam joias,
nem constroem nada,
a não ser uma trilha
de desamor

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Monólogo



Para não enlouquecer eu sinto,
e na ânsia de gritar... Não grito!
E quando é para cantar, 
canto baixinho.
E quando é para sonhar,
sonho com o infinito...

E, às vezes, me pergunto
como pude viver tão sozinho?
Acho que eu era guiado
por um sonho alto... Bonito...
E depois que o sonho
virou fato, e que 
encerraram-se todos os atos,
é que me vi sozinho no palco
à frente de uma plateia 
sofrida, mas sorridente que 
entremeios e entre-mentes
ajudou a construir
meu espetáculo
e, sinceramente, 
não me arrependo de nada!

Só quero escrever outra história
pra inaugurar outra temporada
de menos silêncios 
e mais sentimentos,
de menos vazios 
e mais risadas...

Cântico



Tinha um tempo em que 
eu ouvia mais a cantoria das coisas...
Da chuva, dos grilos, do farfalhar
das árvores na flauta do vento...

E até a cantoria do silêncio
que estalava na casa
quando a noite caía

Nos meus sonhos ouvia
a cantoria da lua e da neblina

E, de repente, a música das coisas
se calou...

Mas às vezes eu sinto que não,
que o cântico de tudo penetrou fundo,
e me tornou uno com as coisas do mundo

terça-feira, 18 de julho de 2017

O Sagrado Amor...



Talvez o único real aprendizado
à cada alma sobre esta terra devastada,
seja mesmo o do infinito e tênue,
tremeluzente e bruto,
aterrador e puro Amor...

O Amor que arde no sexo, 
que dói na saudade, 
que se esvai com os dias...

O Amor sonhado, o Amor dos fatos, 
e, por fim, o Amor dos Santos
que é o mais elevado!
Porque não vê cor 
nem gênero. Vê gente...

Que não vê ideologias, 
vê sonhos que voam...
Que não vê a violência,
mas a falta de Amor...
Que não vê orientações
mas a busca do Amor...

O Amor puro dos Santos,
que vive dentro de cada um 
como uma semente sonhando
que um dia será Flor...

Faca

O amor é faca de dois gumes,  um lado tem perfumes, maciez, ternura... Do outro só durezas e cortes profundos de pura ausência... P...