sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Vendavais Comuns


O vento das circunstâncias
corrói memórias e alianças,
transforma em pó
as mais íntimas lembranças,
e fatia em duas partes
qualquer íntimo afeto.

De um lado ficam
saudade e esperança,
e do outro, por caminhos
de silêncios, prados
e mais prados 
de esquecimento...

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Somiador



Conto a pulsação da noite
e mais uma vez, a escuridão
mais funda vive na face oculta
da terra...

E somos todos, por breve
eternidade noturna,
herdeiros dos seus monstros
e fábulas, dos seus versos
e mistérios...

E viajamos amalgamados
aos seus segredos, revelados
e não revelados pela mente
cortante dos homens...

Mas só a percebe pulsar
os poucos sonhadores
acordados que velam
por todos os negrores
desse mundo...

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Comunicação



No topo do mundo
urdiam estrelas
o destino das gentes,
deslizavam nuvens
plangentes,
e nos canteiros
perfumes do ventre
da noite dançavam...

Tremia a vela do rito
desenhando arabescos
de luz em direção
ao firmamento...

Escutando a voz do silêncio
o poeta catava da noite
sua íntima comunicação 
com o invisível, o vácuo,
o sonho, e o infinito
transcendente....

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Sexo Virtual



São paisagens de tristeza 
essas que rebusco
com matizes de beleza, 
ares coloridos de festa
e de estrela... E que prendo 
aos olhos de quem me lê,
e de quem com seus olhares 
colhe em cachos 
a minha intimidade, 
travestida de sopros 
de tardes eternas 
cobertas de azuis,
e rimas, e ventos, 
e lembranças enluaradas...

E nessa confusão lírica, 
temos, leitores e eu,
uma transa poética...!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Lembrança



Agora os trovões rosnam lá fora,
mas sei que tu ouvirias cavalos de fogo
a percorrer em fúria o céu noturno,
e cantarias os cânticos da chuva
e o ritmo do vento...
E as cores da noite, com os matizes
do silêncio, coloririam o teu poema...

Mas tu não estás, e teu canto agora
está dentro da noite, e no coração
da terra, junto da minha saudade...

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Viagens...



Outra vez, e outra vez
os barqueiros  da noite
vêm remando e agitando
com seus remos
as águas turvas
do meu pensamento,
onde ponho
estrelas de versos
à dirigir-me firmemente 
ao oriente de mim mesmo...

Destino de mares escuros
onde habitam todos os
mistérios do mundo,
que são remexidos 
pelas teorias das gentes,
em suas buscas por verdades
urdidas com tramas de medo,
pois que nesse mundo vazio
todos os segredos têm
de ser desacreditados
para sustentar
inúteis sentidos...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Criadouro


Alimento todo dia, na pequena gaiola do meu peito,
um coração faminto de versos, de sonhos e poesias,
sedento de chuvas e de ventanias...
Um coração de presságios e profecias,
que eu por vezes, cheio de travessura,
deixo escapar da gaiola segura,
para se aventurar no universo das ruas...