terça-feira, 18 de junho de 2013

A Calada da Noite



Eu quero a rua clara do luar da noite incerta
onde o eco brinca de ir e vir por entre os muros,
quero a alegria e o susto de ver 
que atrás do escuro não há nada,
senão a nossa infância brincando 
de esconde-esconde lá, bem atrás 
do pensamento e da lembrança...

Eu quero o silêncio como um manto
pra sonhar as coisas que ainda não se imagina,
eu quero a rima, a magia, e o canto
que jazem no coração da lua!...
Eu quero o sonho e a loucura 
de acreditar no amor e na alegria,
na amizade e na fantasia de viver e ser
para muito além da comprovação científica!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Soneto do Feitiço do Frio em Porto Alegre



Em Porto Alegre fez 8ºC hoje de madrugada... 
Daí nasceu este poema...

Logo ali se vê o *Caldeirão Furado
entre a bruma da noite londrina,
numa curva gaúcha bem na esquina
onde Harry espera ser resgatado!

Em Hogwarts não se supõe que a neblina
levou tão longe o herói anunciado...
Veja, o menino está aqui ao meu lado
sonhando a vingança... Sua marca e sina!

"Mais uma cerveja!" Grita o cliente...
Não é Harry que está na cervejaria!
Foi um feitiço do frio... E de repente

Reconheço o bar e o ambiente...
A bruma fez sua feitiçaria
e levou à imaginação o presente...

*Em referência ao filme Harry Potter 
e o prisioneiro de Azkaban.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Soneto da Espera



Vem amor, não te demores muito mais
que o dia ido faz pesar o que não veio.
Vem ver os versos que trago em meio
ao silêncio da paz que não tenho mais...

Deixei em bares, em praças com os meus ais
lembretes de amor que escrevi e creio
que verás escrito por meus anseios
juras de amores que já não se amam mais.

Sou de um tempo de fidalgos sonhadores,
que criavam com versos galanteios,
que contemplavam distantes amores...

Porém, cansei de versos e devaneios
sonhar demais só faz cobrir de flores
as pontas duras de velhos anseios.
 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Soneto Triste





Dentro do meu peito há janelas
que não avistam a lugar nenhum...
E um céu escuro, vazio de estrelas
com um luar triste... Sem brilho algum!...

Há o eco mudo de velhas capelas
e uma procissão vaga e incomum
de astros escuros que tentam sê-las
mesmo que sem brilho ou vigor algum!

Sonham anjos decaídos e em vão
com alturas de alegrias e paz
sob um vento frio de solidão...

Sonham com abraços, beijos e mais
sonham com liberdade e aceitação
que tanto os sonhos quanto a vida não traz...

sábado, 6 de abril de 2013

Sereia



Dentro da noite há um mar onde dizem morar uma sereia 
chamada poesia,
ela canta entre os rochedos do pensamento
seduz poetas a lançarem-se no mar noturno,
em vagas estreladas, em profundezas nuas...

E dizem que suas almas nunca mais são encontradas!
Que vagam por aí no fundo de seus olhos perdidos...

E dizem também que todo o poeta cobiça
nunca mais ser resgatado!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Bruxas
















No meu tempo elas viviam entre nós
e olhavam para um vento na tarde
e diziam: "vai chover!", e corriam
para fazer bolinhos de chuva, que 
não demorava a cair rumorosa e nua.

Ao contrário dos contos de fadas
elas amavam as crianças e as rezavam
quando não conseguiam dormir...
As mães confiavam nelas para tudo
pois sabiam que eram as testemunhas do tempo.

Elas oravam, benziam, liam cartas
não queriam ser famosas nem aplaudidas
eram simplesmente servidoras da vida 
e sorriam quando lhes agradeciam e davam 
em troca muitos votos de paz e felicidade.

Minha avó é a última remanescente desta
raça de mulheres ancestrais e sábias
que estão deixando este mundo menos
mágico e luminoso. Desaparecem tão
misteriosamente quanto surgiram.

Poeira das estrelas? Arco-íris da luz
de Deus? Da Deusa?... Filhas das árvores
e das ervas, mensageiras do amor e cuidado.
Parte delas vai em minhas veias e eu sou
um resquício saudoso e triste deste mistério!...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Ano Velho




Então foi assim
eu beijei as tuas mãos frias
e os fogos ofuscaram nossa
despedida

Eu fiz de conta que logo te veria, 
amanhã, ou noutro dia,
ignorando, ou tentando
ignorar, que como o ano velho
nossa história também se ia...

E tudo, tudo meu amor
pareceu tão vazio
como crer no amor e
que a alegria triunfará
para sempre!...

Porque só eu sei
que nunca mais (nunca!)
eu serei o mesmo novamente!


O Tempo

De todas as perdas que eu tive, a saudade do meu pai ainda é a que me dói mais. Fomos pai e filho por muitos anos, mas nos descobrimos amigo...