sábado, 6 de junho de 2026

Quando o Frio Chega...

O ponto mágico das estações frias do ano, são a preguiça que a retirada cada vez mais precoce da luz traz. E também quando o fumegar das panelas embaça espelhos e janelas, e o vento entra feito criança ligeira nas tardes - crianças dum tempo em que elas tinham prazer em correr por aí - fazendo a gente cerrar portas, fazer chás pra ficar ouvindo o vento sacudir o cimo das árvores, fazendo despencar a poesia das folhas sobre nós... Gosto da cama no fim do dia, ou nas tardes frias, onde mergulho em pensamentos, sonhos, reflexões ou leituras que me levam pra longe. A vida entra num túnel de tons terrosos, de neblinas mágicas, de luzes que se inclinam lânguidas sobre parapeitos, ou tapetes onde os gatos caçam a luz, ou sobre os travesseiros que nos convidam a sonhar... O Sol não tem mais a face agressiva do verão, tem o semblante morno dos avós, que nos acalmam e acolhem com as cantigas de ninar, que emergem do fundo do tempo... Boa noite a todos!

domingo, 17 de maio de 2026

Prelúdio Invernal

 


Eu vou passar o café,
e a tarde fria lá fora parece
o cenário de um filme
daqueles em que
todos somem por causa
de uma peste ou invasão
alienígena... Aqui dentro,
porém, o aroma da tarde é
de café passado, e do quentinho
do pão que faz a manteiga
derreter, e das lembranças
de quando minha avó fazia
bolinhos de chuva para
nos aquecer... Só hoje
eu vejo que aquilo era um
daqueles momentos em que
o amor toma forma e cheiro
só para nos acolher...


sábado, 28 de fevereiro de 2026

As Noites do Eremita


1


Durante o dia eu ouço o canto das coisas
que os pássaros trazem com a voz do vento,
e meus pensamentos seguem os rastros
de luz que ele desenha sobre a paisagem.
Sem ansiedade eu apenas estou presente
e, nas profundezas do Eu, observo e sinto.
Meus sentimentos que são orações de louvor
à vida, ao silêncio e ao sagrado que,
das alturas da alma até o chão da existência
abraça-nos sem com que nos atentemos.
Deus está dentro e sempre perto e em todos,
e nos conecta às alturas de tudo quando
do sono profundo de nossa razão pequena
despertarmos para a imensidão que nos espera.

2

Eu não sobrevivo da presença fugaz dos outros,
eu vivo na essência do que nos une e nos resume
na busca em que estamos todos empenhados,
embora muito poucos estejam dela conscientes.

3

Os sons do dia, e suas cores, e seus tons me conectam
à vida e aos outros, e às gentes que passam tecendo
as tramas de sua própria história, presos aos instintos,
que os resume e submete, enquanto seguem suas sinas
inconscientes da presença que a tudo permeia e os espera!

4

Eu nada espero e nem quero, sou grato por cada instante
que o Criador nos oferta nesta imensa dádiva que é existir.
Eu observo e aprendo com o espinheiro que sempre floresce,
mesmo que ninguém o ame ou a beleza do seu trabalho.

Quando o Frio Chega...

O ponto mágico das estações frias do ano, são a preguiça que a retirada cada vez mais precoce da luz traz. E também quando o fumegar das pan...