O ponto mágico das estações frias do ano, são a preguiça que a retirada cada vez mais precoce da luz traz. E também quando o fumegar das panelas embaça espelhos e janelas, e o vento entra feito criança ligeira nas tardes - crianças dum tempo em que elas tinham prazer em correr por aí - fazendo a gente cerrar portas, fazer chás pra ficar ouvindo o vento sacudir o cimo das árvores, fazendo despencar a poesia das folhas sobre nós... Gosto da cama no fim do dia, ou nas tardes frias, onde mergulho em pensamentos, sonhos, reflexões ou leituras que me levam pra longe. A vida entra num túnel de tons terrosos, de neblinas mágicas, de luzes que se inclinam lânguidas sobre parapeitos, ou tapetes onde os gatos caçam a luz, ou sobre os travesseiros que nos convidam a sonhar... O Sol não tem mais a face agressiva do verão, tem o semblante morno dos avós, que nos acalmam e acolhem com as cantigas de ninar, que emergem do fundo do tempo... Boa noite a todos!
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Missiva
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