segunda-feira, 10 de março de 2014
Praia Mansa
A lisura mansa dos dias cálidos
como a areia da praia estendida
por um caminho oco e solitário,
que por reveses se fez minha vida
O vazio árduo e o amor pálido
a que dediquei toda a minha lida,
de afetos que se tornaram escárnios
de uma alma que de amar foi tão esquecida!
Mas hoje, livre dos medos de outrora,
vivo a vida como quem abre asas
levado além da própria história!
Esquecido dos limites da casa
eu construo assim outra trajetória,
de sonhos cheia, e de temores rasa...
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Pressentimento
Vieram feito pássaros os pensamentos sobre ti,
caíram dos caldeirões dos feiticeiros das estrelas
os anseios que eu levo hoje comigo, que fizeram
amargos, mas coloridos de sonhos, os dias sem ti!
Entre feliz e triste, luminoso e obscuro atravesso
cada ponte do tempo por entre um abismo e sinto,
que a cada passo que te demoras morro um pouco,
e sonho e vibro envenenado do amor por ti!
Sim, ausência dolorosa que verte versos de mim.
Cadafalso do pensamento em que ao imaginar-me
livre da saudade, e esquecido da ausência, de novo
eu me lembro do tanto que amo e esqueço de mim!
Rumoroso silêncio em que trafego meus versos,
num outro mundo de presenças e afagos, e amigos,
tu andas e dormes comigo sob o olhar das estrelas...
O dia de tua vinda será de minha poesia o fim!
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Distâncias
Ai lonjuras que secam os olhos de saudade,
que rompem os abraços que se dava,
que marcam o rosto com os vincos
dos que se espremem para ver vultos
Ai lembranças que nos uivam na madrugada,
ai fantasmas que de tão amados são cruéis!
O martírio de carinhos perdidos são infindos
e nos rasgam a carne, nos bebem o sangue
E pintam poemas na alvura do papel!
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Sabá
Por luares de outros mundos
passeiam meus olhos de outrora,
E atrás da grande rede dos sonhos
os pescadores do sono contam histórias
sobre o começo dos tempos
Em torno de uma fogueira mágica onde
os ancestrais sorriem para nós, na esperança
de que levemos adiante o sonho,
infinito e absoluto, de um mundo melhor!
passeiam meus olhos de outrora,
E atrás da grande rede dos sonhos
os pescadores do sono contam histórias
sobre o começo dos tempos
Em torno de uma fogueira mágica onde
os ancestrais sorriem para nós, na esperança
de que levemos adiante o sonho,
infinito e absoluto, de um mundo melhor!
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Interlúdio de Verão
Deitam-se sobre os arrulhos das pombas as rimas do vento...
O dia abre também os seus braços, e o sol em vestes de ouro
esparrama-se sobre os telhados numa carruagem azul...
Mas o calor deixa tudo tão triste, só tenho vontade de dormir!
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Aspiração Poética...
Eu queria que a poesia curasse feridas
e abrisse canteiros de flores nos corações desertos
e desenhasse sorrisos nas caras sérias
e afogasse a saudade nos corações apertados,
que matasse a fome dos famintos,
que calçasse os pés dos que não tem sapatos,
que agasalhasse os que tem frio,
e desse amor e prazer aos solitários!
Mas a minha maior tristeza, e sinto
que seja essa a dor de todos os poetas,
é que não sabemos escrever assim...
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
O Bóris Chegou no Céu...
In Memorian ao meu filho felino, Bóris.
O Bóris chegou no céu e viu o grande portão fechado.
Esperou um pouco ali sentado, as orelhas curiosas eretas,
a cabeça reclinada parecia perguntar "Como?", e então
pôs-se a cavar debaixo do portão puxando-o
como fazia com as portas aqui de casa. Fazia um barulhão!
Como um tipo impaciente batendo...
E veio São Pedro assustado, correndo
"O que é isso?" e então abre e olha,
vê um gatinho dourado com branco...
Sentadinho de novo o Bóris
olha com uma doçura imensa e lança
um miadinho fraco, quase mudo...
Então São Pedro diz "Ah meu filho
entra logo! Onde quer ficar?
O Bóris entra, roça a cabeça peluda na túnica
do velho Pedro, e de rabo erguido
vasculha o céu todinho até que vê
uma nuvem branca felpuda
e escolhe que é ali que vai ficar!
E era justo onde São Pedro descansava
e onde estava até a pouquinho!
Ele sobe, deita, sem dor nem cansaço,
nem dói mais a sua barriguinha!
São Pedro deita também e o Bóris
aos pés dele, como fazia com a gente
aqui em casa, descansa pra sempre
sonhando com a nossa chegada!
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O Tempo
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