sábado, 28 de fevereiro de 2026

As Noites do Eremita


1


Durante o dia eu ouço o canto das coisas
que os pássaros trazem com a voz do vento,
e meus pensamentos seguem os rastros
de luz que ele desenha sobre a paisagem.
Sem ansiedade eu apenas estou presente
e, nas profundezas do Eu, observo e sinto.
Meus sentimentos que são orações de louvor
à vida, ao silêncio e ao sagrado que,
das alturas da alma até o chão da existência
abraça-nos sem com que nos atentemos.
Deus está dentro e sempre perto e em todos,
e nos conecta às alturas de tudo quando
do sono profundo de nossa razão pequena
despertarmos para a imensidão que nos espera.

2

Eu não sobrevivo da presença fugaz dos outros,
eu vivo na essência do que nos une e nos resume
na busca em que estamos todos empenhados,
embora muito poucos estejam dela conscientes.

3

Os sons do dia, e suas cores, e seus tons me conectam
à vida e aos outros, e às gentes que passam tecendo
as tramas de sua própria história, presos aos instintos,
que os resume e submete, enquanto seguem suas sinas
inconscientes da presença que a tudo permeia e os espera!

4

Eu nada espero e nem quero, sou grato por cada instante
que o Criador nos oferta nesta imensa dádiva que é existir.
Eu observo e aprendo com o espinheiro que sempre floresce,
mesmo que ninguém o ame ou a beleza do seu trabalho.

As Noites do Eremita

1 Durante o dia eu ouço o canto das coisas que os pássaros trazem com a voz do vento, e meus pensamentos seguem os rastros de luz que ele de...