quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Alento



In Memoriam à minha mãe, Hélia.


Enchi de delicadeza cada verso, e cada palavra
nos bilhetes que deixei à tua porta antes de partir,
tomado de esperança última e de inútil espera
(fervorosa de sonhos)... Porque estavas morta!
E nenhuma poesia, súplica ou lágrimas te trariam de volta...
Mas nas asas dos meus sonhos ainda voas comigo,
e nas varandas da minha poesia sorrimos, e abraçados
ainda somos mãe e filho, porque existe dentro de nós
algo que a morte espezinha mas não destrói, e assim
tive forças para viver o resto dos meus dias e todas
as agonias e perdas que a vida ainda me reservaria...

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